A questão do Tua (é vossa?)

18 08 2009

Exmos(as). Srs(as). Candidatos(as) a Presidente de Câmara Municipal dos concelhos de Alijó, Carrazeda de Ansiães,Mirandela, Murça e Vila Flor,

A região de Trás-os-Montes e Alto Douro foi recentemente apontada num estudo como a região mais pobre da Europa. É, no entanto, uma das que possui maior riqueza endógena e contributiva para o bem-estar nacional. No entanto, e apesar de ser a região com a maior fatia de produção de energia eléctrica, e deste facto não gerar qualquer espécie de retorno positivo, é intenção do Governo e da EDP avançarem compulsivamente com a construção de uma barragem na foz do rio Tua.

Esta barragem, como atesta o seu Estudo de Impacte Ambiental, será ruinosa a nível regional, e pauta-se por um contributo irrelevante de até 0,5% de produção de energia eléctrica a nível nacional, quando apenas 30% da energia consumida em Portugal é electricidade…
A barragem do Tua atropela alguns dos principais programas de ordenamento do território nacional: basta ler o PNPOT, o PROTN e o PENT, para ver que faz tábua rasa de todas as directrizes estratégicas destes documentos para a região trasmontana.
A construção da barragem do Tua, qualquer que fosse a cota escolhida (e, para já, foi a 170 metros), corta-se a ligação que existe entre a Linha do Tua e a Linha do Douro. Caso isto aconteça, deixa de existir qualquer tipo de tráfego de passageiros ou turístico e de mercadorias, o que levará ao encerramento definitivo da Linha do Tua, na sua totalidade. Cortando o acesso à rede ferroviária nacional e consequentemente, à nova rede espanhola, a região de Trás-os-Montes ficará ainda mais isolada.
No decurso da Consulta Pública do Estudo de Impacto Ambiental, foram afrontosamente sonegados os pareceres de entidades que dificultariam a emissão de um parecer favorável à construção da barragem. Exemplos desses pareceres foram os do Movimento Cívico da Linha do Tua, e da COAGRET(Coordenadora de Afectados pelas Grandes Barragens e Transvases).

A reabertura da Linha do Douro, apoiada pela Junta de Castela e Leão e por uma coligação de 28 autarquias portuguesas do Douro, aliada à passagem da linha de alta velocidade de Madrid a Vigo a 30km de Bragança, faz da Linha do Tua um potencial eixo estruturante entre o Noroeste de Espanha e o Douro (ler artigo aqui).

É nesta altura inegável que a barragem não serve a região, nem servirá o país, e que todos os poucos argumentos utilizados na sua defesa são totalmente refutáveis. A Linha do Tua pelo contrário tem um potencial estruturante que tem sido asfixiado ao longo de décadas, mas que não está perdido, e por muito menos que o preço de uma auto-estrada poderá ser modernizada, nos mesmos moldes em que são geridas em Espanha linhas de via estreita com iguais características.

Ambas as infra-estruturas são incompatíveis, se a EDP insistir de forma arbitrária e falaciosa de que não é sua obrigação a construção de uma nova linha, para compensar a submersão de parte da via-férrea existente. Deste modo, e dada a importância estratégica que esta decisão terá para as próximas gerações, a região precisa ver esclarecidas as seguintes questões:

  1. Partindo da reportagem “Fim de Linha”, de João Faiões, apresentada na SIC em 29/07/2009 (que pode ser revista aqui), na qual se compara a operação das linhas de via estreita em Espanha, com o caso português, qual é a posição da vossa candidatura sobre a Linha do Tua?
  2. A Linha do Tua tem sido referida como candidatável a património da humanidade (ler notícia aqui), tendo sido classificadas 5 linhas idênticas na última década na Áustria, Índia e Itália/Suíça). Qual a posição da vossa candidatura sobre este projecto durante a próxima legislatura?
  3. Finalmente qual é a posição da vossa candidatura sobre o valor económico do Rio Tua sabendo que é o rio com a melhor classificação para canoagem de águas bravas (ver digitalização aqui), bem como sobre os valores éticos na salvaguarda do rio Tua (ver documento aqui)?

A resposta a este questionário será publicitada. A não resposta é uma resposta também.

Agradecemos resposta p/ coagret.pt@gmail.com. Obrigado.

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2 responses

26 08 2009
miguel

Não me levem a mal, eu estou 100% convosco, mas eu gostava muito de ver o tal estudo que aponta a região como a mais pobre da Europa.
É que para quem conhece a miséria que na Europa de Leste, fazer uma afirmação dessas é no mínimo insultuoso.
Cumps e boa sorte

10 02 2012
uricio Arrais

Querem que eu comente.Obrigado.Estou destroçado com os governantes que temos em Portugal,que nos levaram a andar a mendigar,junto de paises estrangeiros.Como foi possivel levar Portugal á ruina,já no século vinte e um?Se a EDP já tem 166 barragens,e ainda não chegam,o Snr Mexia ainda vai aproveitar o rio Xarrama em Evora,com os esgotos da cidade.A linha do TUA É A RAINHA DAS LINHAS em Portugal.Precisa de ser renovada com perto de 200000 travessas de betão,e os combóios podem circular com outra velocidae.A linha irá durar uma eternidade,com pouca despesa na manutenção.Muito importante,com travessas de betão o combóio não descarrila.a bitola não abre.O COMBÒIO È O TRANSPORTE TERRESTRE MAIS SEGURO,CÒMODO E RÀPIDO NO MUNDO PARA O TERCEIRO MILÈNIO.As populações do interior precisam com urgencia´ do combóio,e a CP até pode baixar os preços dos bilhetes,fazendo forte concorrencia á ródovia.A VIDA DUM PASSAGEIRO NÃO TEM PREÇO.Ex chefe de estação e de combóios na Estrela de Èvora.Mauricio Arrais.

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