“Sentada à porta de casa, atenta à conversa, Adelina da Conceição, de 84
anos, não escondia a “tristeza” de ver acabar “o que de mais bonito tem a
aldeia”. Há vários anos que esta mulher, com enormes dificuldades de
mobilidade, não usa o comboio, mas recorda que em tempos “era a alegria da
terra”. “Estavam sempre a passar e estava sempre a chegar gente do Porto e
de Lisboa, não havia tantos carros”.
(…)
Integrada na Região Demarcada do Douro, a freguesia de Sobreira (Murça) vai
ver boa parte das vinhas e olivais inundada se a barragem for construída. A
população nem quer ouvir falar do assunto, convicta de que se “os Grandes”
quiserem os pequenos agricultores não têm força suficiente para travar o
empreendimento. Os residentes estão indiferentes à submersão da linha de
caminho de ferro mas não à inundação “da terra que dá sustento à freguesia”.
Na aldeia há 11 crianças ainda a frequentar a escola primária, o que mostra
que casais jovens ainda ganham a vida na agricultura. “Eu fico doente só de
pensar que nos querem inundar tudo”, lastimou Maria Olivete, uma residente.
“As melhores vinhas e as melhores terras ficam de baixo de água, depois
quero ver do que vivemos”, acrescentou.
Em tom irónico, uma vizinha, Maria dos Remédios, apontava para o “monte do
barro”, um monte argiloso, visivelmente infértil para a agricultura e dizia:
“Vamos plantar as vinhas e fazer as hortas ali”. Até as hortas que garantem
a colheita das batatas, feijões e couves, vão ficar debaixo de água. “Eu não
tenho nada mas os vizinhos sempre me vão dando uma folhinhas de couve e umas
batatinhas, depois quem mas dá se ficam eles sem sítio para as colher?”
questionava, aos 80 anos, Maria do Céu.
Henrique Risca, outro habitante da aldeia, entre insultos aos governantes,
desfazia-se em lamentações: “Dizem que pagam os terrenos mas não dão o que
eles valem, é de lá que tiramos todo o nosso sustento”. “Eles (governantes)
têm todos, as panelas bem cheias e nós, quem nos vai dar de comer?”.
Os moradores preferem nem pensar no assunto, para evitarem a emoção e a
antevisão de dias pouco risonhos. “Nem sei como nos podem fazer uma coisa
destas, aqui só se vive do vinho, do azeite e da horta que nos enche a casa,
se não nos deixam terrenos o que fazemos?”, continuou Maria Olivete.
(…)
Movimento cívico na defesa da linha do Tua
Em Outubro de 2006, um grupo de cidadãos de todo o país reuniu em Coimbra e
decidiu criar o Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT). Este grupo tem
como missão “viver e divulgar a linha”, no sentido de promover a sua procura
e utilização. Duarte Conde, um dos elementos do MCLT, afirmou que pela
Europa fora se fala deste percurso de apenas 58 quilómetros, como “a linha
de montanha mais emblemática do país”. A paisagem agreste, com enormes
ravinas que servem de moldura à linha, torna este percurso magnífico.
(…)
A EDP detinha a concessão para a construção e exploração do empreendimento
há 47 anos. Nos últimos anos e porque o prazo da concessão (por 50 anos)
estava quase a terminar, ainda desenvolveu estudos e reuniu com os
responsáveis municipais, com o intuito de avançar com a obra.
Fonte:
Mirandela on-line
http://www.mirandela-online.net/










vao destroir um lugar de encanto, aonde passei a minha juventude.
sou natural de sobreira e a viver no luxembourgo, com a barragem vão destroir vinhas uma é minha onde os meus pais trabalharam toda a vida e estes senhores não olham a meios para destroirem tudo o que custou tanto a outros, estou com a gente da sobreira.